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Aspecto da cana-de-açúcar hidrolisada
Cana hidrolisada garante alimentação bovina no inverno

O processo de hidrólise é feito com cal originária de rocha calcárea

A alimentação do gado leiteiro e de corte durante o inverno, período de entressafra dos pastos, é uma questão que preocupa o pecuarista. O motivo principal é o custo de massa alimentar alternativa. Considerando-se o fator financeiro, a cana-de-açúcar surge como uma opção vantajosa por ser um alimento rico em energia, pela alta produtividade, por estar disponível no período de seca e, além disso, poder ser suplementada com nutrientes essenciais como proteína e minerais.

Para que a cana seja plenamente aproveitada pelo sistema digestivo do bovino, contudo, é necessário submetê-la ao processo de hidrólise (veja receita abaixo), que consiste em alterar a composição química da matéria seca, além da fibra, favorecendo a digestão e o consumo. "Este procedimento ajuda a manter o peso do animal e a produção de leite", explica o zootecnista Mauro Dal Secco de Oliveira, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal. O docente é autor do livro Aspectos gerais da cana-de-açúcar na alimentação do bovino, editado pela Funep.

De acordo com Oliveira, este procedimento é feito com a adição da cal micropulverizada à cana, na forma de Óxido de Cálcio (veja composição química abaixo), substância alcalinizante que promove o aumento da digestão da matéria seca. "A hidrólise é uma prática possível para grande e pequeno produtores", diz.

O zootecnista esclarece que a cana hidrolizada favorece o funcionamento do rúmen, um dos compartimentos do sistema digestivo do bovino onde ocorre a ação dos microrganismos que atuam sobre a matéria seca do alimento, inclusive sobre a fibra dos vegetais. No rúmen acontece a fermentação e o início do processo da digestão. A mais importante função dos microorganismos presentes no rúmen é a síntese de proteína microbiana, que estimula o seu crescimento e o aumento da digestão.

Oliveira explica ss vantagens de hidrolisar a cana-de-açúcar. Ao consumir mais cana, o gado ganha peso e produz mais leite, além de minimizar o custo da ração. O pecuarista também não precisa mais se preocupar com o corte diário da cana. "Com isso cai o custo operacional com mão-de-obra e combustível", diz.

Cuidado especial - O pecuarista deverá ficar atento ao tipo de cal recomendado, pois dependendo da origem da rocha calcárea, a composição química poderá ser diferente em termos de óxido de cálcio e de óxido de magnésio, além de conter outras substâncias que poderão ser prejudiciais ao bovino leiteiro ou de corte. A cal microprocessada ou micropulverizada é um produto de origem mineral, que passa por um processo industrial e adquire aparência de matéria refinada. "Trata-se de um produto totalmente diferente da cal virgem utilizada em construção, completamente inadequada para a hidrólise da cana", esclarece o docente.

Composição percentual da cal, em níveis de garantia:
MgO=0,5; Al2O3=0,3; SiO2= 1,4; CaO total= 90,0; Fe2O3=0,2;
CaO disponível= 87,3; CO2=1,5; S= 0,07

Para hidrólisar a cana-de-açúcar

0,5 kg de cal micropulverizada (CaO), específica para a hidrólise da cana-de-açúcar, diluida em 2 litros de água. Misturar homogeneamente com 100 kg de cana picada. Deixar em repouso por no mínimo dez horas. Sugere-se fazer o preparo no dia anterior para fornecer aos animais no dia seguinte.

Para quantidades menores, a mistura da cana com a solução de cal pode ser feita em balde de plástico ou regador. Para grande quantidade, sugere-se o uso de equipamento específico, acoplado à picadeira, móvel ou fixa.

É ideal manter a cana hidrolisada em pequenos amontoados, conforme planejamento de uso, ou seja, em função da quantidade diária por animal. O produtor pode planejar a hidrólise de uma quantidade suficiente para a alimentação dos animais durante o final de semana, facilitando o manejo.

A cana hidrolisada deverá ser fornecida aos animais com complemento protéico, que pode ser concentrado de farelo de soja, de algodão ou uréia, a fim de atender as necessidades nutricionais do animal.

 

Genira Chagas

       
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